segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Campus Party

São Paulo - A sexta edição da Campus Party Brasil, em São Paulo, terminou este final de semana como a mais profissional, bem organizada e empreendedora das edições do evento no Brasil.
Apesar do esforço em transformar seu evento num grande polo de inovação, a Futura Networks, empresa que organiza o evento e poderá ser comprada pela Telefônica, principal patrocinadora da Campus, manteve na programação espaço para defensores do software livre e da privacidade na web, dois temas em baixa com a ascensão da Apple, Google e Facebook, companhias que dominam o cenário tecnológico exercendo a antítese das teses defendidas na Campus, como as soluções fechadas e proprietárias da Apple e o avanço despudorado sobre os dados dos usuários, promovido por Google e Facebook.
Na sexta-feira, por exemplo, o diretor da Mozilla Mark Surman defendeu a ideia de uma internet livre e com tecnologias produzidas pelos usuários, a quem chamou de ´webmakers´. Para Surman, será possível resistir aos protocolos fechados e influenciar o mercado como o browser Firefox fez nos últimos anos, até perder relevância para o Chrome. Surman também propõe enfrentar o duopólio iOS/Android com um improvável sistema operacional da própria Mozilla, o Firefox OS.
Antes, a ativista da Eletronic Frontier Foundation, Rainey Reitman, defendeu o uso de tecnologias abertas e de criptografia, como  HTTPS, TOR e Pigdon (solução que encripta os dados dos usuários) para proteger as pessoas comuns de terem suas informações espionadas por governos e corporações. Rainey disparou contra os países que censuram a web, como China e Irã, mas lembrou que estas nações usam equipamentos da americana Cisco para filtrar conteúdo na web. Os discursos de Rainey e Surman e sua convocação à luta pela liberdade na internet lembra um ativismo que anda meio envergonhado e sem espaço fora de eventos acadêmicos ou debates como os promovidos na Campus Party.
Ao mesmo tempo em que se manteve fiel à tradição de expor conteúdos em defesa do usuário e da liberdade na web, a Campus Party profissionalizou sua organização a ponto de evitar vexames como os registrados em 2012, 2011 e 2010, quando faltou energia elétrica, tempestades derrubaram instalações e até a conexão à web caia. Longe da perfeição, a Campus 2013 falhou na higiene (ratos circulavam pelo Anhembi) e não conseguiu repetir o acordo feito em 2012, que assegurou transporte gratuito do metrô Tietê para o Anhembi. Apesar desses tropeços, de longe, a edição de 2013 foi melhor organizada que nos anos anteriores, em que as queixas dos campuseiros sobre calor, banheiros ruins e alimentação insuficiente inundaram a web.

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