São Paulo - A sexta edição da Campus Party
Brasil, em São Paulo, terminou este final de semana como a mais
profissional, bem organizada e empreendedora das edições do evento no
Brasil.
Apesar do esforço em transformar seu evento num grande polo de
inovação, a Futura Networks, empresa que organiza o evento e poderá ser
comprada pela Telefônica, principal patrocinadora da Campus, manteve na
programação espaço para defensores do software livre e da privacidade
na web, dois temas em baixa com a ascensão da Apple, Google
e Facebook, companhias que dominam o cenário tecnológico exercendo a
antítese das teses defendidas na Campus, como as soluções fechadas e
proprietárias da Apple e o avanço despudorado sobre os dados dos
usuários, promovido por Google e Facebook.
Na sexta-feira, por exemplo, o diretor da Mozilla Mark Surman
defendeu a ideia de uma internet livre e com tecnologias produzidas
pelos usuários, a quem chamou de ´webmakers´. Para Surman, será possível
resistir aos protocolos fechados e influenciar o mercado como o browser
Firefox fez nos últimos anos, até perder relevância para o Chrome.
Surman também propõe enfrentar o duopólio iOS/Android com um improvável
sistema operacional da própria Mozilla, o Firefox OS.
Antes, a ativista da Eletronic Frontier Foundation, Rainey
Reitman, defendeu o uso de tecnologias abertas e de criptografia, como
HTTPS, TOR e Pigdon (solução que encripta os dados dos usuários) para
proteger as pessoas comuns de terem suas informações espionadas por
governos e corporações. Rainey disparou contra os países que censuram a
web, como China e Irã, mas lembrou que estas nações usam equipamentos da
americana Cisco para filtrar conteúdo na web. Os discursos de Rainey e
Surman e sua convocação à luta pela liberdade na internet lembra um
ativismo que anda meio envergonhado e sem espaço fora de eventos
acadêmicos ou debates como os promovidos na Campus Party.
Ao mesmo tempo em que se manteve fiel à tradição de expor
conteúdos em defesa do usuário e da liberdade na web, a Campus Party
profissionalizou sua organização a ponto de evitar vexames como os
registrados em 2012, 2011 e 2010, quando faltou energia elétrica,
tempestades derrubaram instalações e até a conexão à web caia. Longe da
perfeição, a Campus 2013 falhou na higiene (ratos circulavam pelo Anhembi)
e não conseguiu repetir o acordo feito em 2012, que assegurou
transporte gratuito do metrô Tietê para o Anhembi. Apesar desses
tropeços, de longe, a edição de 2013 foi melhor organizada que nos anos
anteriores, em que as queixas dos campuseiros sobre calor, banheiros
ruins e alimentação insuficiente inundaram a web.
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